A invisibilidade do adoecimento mental atrás das grades: um desafio ao sistema prisional
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Informações
Título
A invisibilidade do adoecimento mental atrás das grades: um desafio ao sistema prisional
Autor(es)
Ana Beatriz do Nascimento Guimarães | Ana Livia Rosa Pereira | Maria Eduarda Araujo Mazziero | Melyssa de Oliveira Souza | Rafaela Mattos de Oliveira
Orientador(a)
Natália Leal Vio
Resumo
Apesar da existência de marcos legais relevantes, como a Constituição Federal de 1988, a Lei nº 10.216/2001 e a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade (PNAISP), a realidade carcerária ainda está marcada por contradições que dificultam a efetivação desses direitos. O cotidiano das prisões brasileiras revela problemas estruturais persistentes: superlotação, condições insalubres, falta de recursos e escassez de profissionais de saúde. Essas condições não apenas fragilizam a qualidade de vida. Este trabalho analisa a invisibilidade do adoecimento mental no sistema prisional brasileiro, discutindo desafios para garantir o direito à saúde das pessoas privadas de liberdade. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e documental, de caráter qualitativo e exploratório, desenvolvida a partir de artigos científicos, relatórios institucionais e documentos oficiais publicados sobre saúde mental no sistema prisional brasileiro. Foram consultadas bases de dados diversas, tais como bases científicas (SciELO, BVS) e documentos governamentais/institucionais (CNJ, SAP, CNES, Ministério da Saúde, STF). Houve dificuldade em encontrar dados sobre a saúde mental de pessoas privadas de liberdade, bem como identificar as ações voltadas à promoção, prevenção, tratamento e reabilitação em saúde mental para esse público. Os Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico ainda seguem modelos de caráter asilar, incompatíveis com os princípios da Reforma Psiquiátrica, que propõe a desinstitucionalização e o cuidado em liberdade. Outro ponto que merece atenção é o papel do psicólogo no sistema prisional, conforme mecanismos legais, sua atuação envolve contribuir para a criação de estratégias de cuidado coletivo, espaços de escuta e projetos voltados à reintegração social, favorecendo o resgate da dignidade e a redução do sofrimento psíquico. Contraditoriamente, parte das práticas do psicólogo nesse contexto ainda está limitada à produção de laudos e avaliações periciais. Conclui-se que o avanço em direção a um atendimento digno e humanizado depende da superação de barreiras estruturais e da consolidação de políticas públicas que articulem saúde, justiça e direitos humanos. Mais do que garantir tratamentos pontuais, é necessário reconhecer a saúde mental como parte essencial da vida dentro do cárcere. Somente assim será possível enfrentar a invisibilidade do adoecimento psíquico e promover um sistema prisional que respeite a cidadania, valorize a dignidade e se comprometa com a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
Palavras-chave
Saúde mental | Cárcere | Prisão | Psicologia | Direitos humanos
Curso
Psicologia
Área de Concentração
Saúde mental
Data de Defesa
05/11/2025
Local/Campus
Araçatuba
Direito de Acesso
Acesso Aberto