A importância do acompanhamento psicoterapêutico no processo de ressocialização feminina no sistema carcerário brasileiro
Autor(es)
Angela Dias Lima | Gabrielle De Oliveira Serra | Geovanna Santos Batista | Julia Alves Araujo | Laura Martins Marques | Isabella Beatriz de Oliveira Dias
Orientador(a)
Edna A. Mercado
Resumo
O presente trabalho objetivou analisar os mecanismos comportamentais subjacentes ao acompanhamento psicoterapêutico que favorecem a ressocialização de mulheres encarceradas no sistema carcerário brasileiro. Considerou-se que os estigmas socialmente atribuídos às mulheres, especialmente às negras, pobres, mães e com baixa escolaridade, intensificam sua condição de vulnerabilidade dentro do sistema prisional, contribuindo para a manutenção de comportamentos disfuncionais e a reincidência criminal. Por meio de uma revisão sistemática da literatura foram selecionados estudos publicados entre 2014 e 2024 nas bases BVS, PePSIC, SciELO e Google Acadêmico. A análise dos dados demonstrou que o sistema prisional feminino é atravessado por negligências institucionais, violações de direitos básicos e ausência de políticas públicas eficazes em saúde mental. As mulheres privadas de liberdade apresentam histórico de sofrimento psíquico, muitas vezes agravado pela vivência do cárcere. A psicoterapia, mesmo diante de limitações estruturais, demonstrou potencial para promover escuta qualificada, elaboração emocional e reestruturação de repertórios comportamentais. A Análise do Comportamento foi utilizada como referencial teórico para compreender a funcionalidade dos comportamentos observados e a importância da criação de contextos reforçadores no pós-cárcere. Conclui-se que o acompanhamento psicoterapêutico deve ser reconhecido como um direito fundamental e como ferramenta estratégica na promoção da dignidade, autonomia e reintegração social dessas mulheres.