É você, Satanás? Análise do filme Oficina do Diabo (2025)
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Informações
Título
É você, Satanás? Análise do filme Oficina do Diabo (2025)
Título (EN)
Is that you, Satan? Analysis of the film The Devil's Office (2025)
Autor(es)
Isabella Carrillo Gaeta
Orientador(es)
Laura Loguercio Cánepa
Data de Defesa
24/06/2026
Resumo (EN)
This thesis analyzes The Devil’s Office (Felipe Valerim, 2025), the first fiction film produced by Brasil Paralelo. The research is based on the hypothesis that the film mobilizes demonological imagery to organize a neoconservative reading of social reality, converting historical, political, and cultural conflicts into a battle between good and evil. To demonstrate this, the work articulates three analytical axes: the mapping of the historical and cultural repertoire on the Devil and modern Satanism, from Milton and Goethe to Anton LaVey and the American Satanic Panic of the 1970s and 1980s; the insertion of Brasil Paralelo within the Brazilian new right, examining its business model, productions, and relationship with Catholicism and the culture wars; and the film analysis of Oficina do Diabo, compared with C.S. Lewis's The Screwtape Letters, the work that inspired the screenplay. The results demonstrate that the film simultaneously performs three operations: it mobilizes the Satanic Panic repertoire to name diffuse threats; organizes these threats according to Brasil Paralelo's neoconservative ideology (Christian right, patriarchal family, militarism, and punitive idealism); and naturalizes this arrangement through the figure of the Devil, which functions, in Marxian terms, as a symbolic expression of relations of domination presented as universal spiritual truths. It is concluded that Oficina do Diabo is not a religious entertainment product, but an instrument of symbolic dispute in service of a neoconservative political and moral agenda
Resumo
Esta dissertação analisa Oficina do Diabo (Felipe Valerim,2025), primeira produção de ficção da Brasil Paralelo. A pesquisa parte da hipótese de que o filme mobiliza o imaginário demonológico para organizar uma leitura neoconservadora da realidade social, convertendo conflitos históricos, políticos e culturais em uma batalha entre o bem e o mal. Para demonstrá-la, o trabalho articula três eixos analíticos: o mapeamento do repertório histórico e cultural sobre o Diabo e o satanismo moderno, desde Milton e Goethe até Anton LaVey e o pânico satânico estadunidense das décadas de 1970 e 1980; a inserção da Brasil Paralelo no campo da nova direita brasileira, examinando seu modelo de negócio, suas produções e sua relação com o catolicismo e as guerras culturais; e a análise fílmica de Oficina do Diabo, cotejada com Cartas de um Diabo a seu Aprendiz, de C.S. Lewis, obra que inspirou o roteiro. Os resultados demonstram que o filme articula três operações simultâneas: mobiliza o repertório do pânico satânico para nomear ameaças difusas; organiza essas ameaças segundo o ideário neoconservador da Brasil Paralelo (direita cristã, família patriarcal, militarismo e idealismo punitivo); e naturaliza esse arranjo por meio da figura do Diabo, que funciona, nos termos marxianos, como expressão simbólica de relações de dominação apresentadas como verdades espirituais universais. Conclui-se que Oficina do Diabo não é um produto de entretenimento religioso, mas um instrumento de disputa simbólica a serviço de uma agenda política e moral neoconservadora
Coleção
Tipo
Dissertação
Palavras-chave
Brasil Paralelo; Oficina do Diabo; pânico satânico; neoconservadorismo; imaginário demonológico
Área de Concentração
Comunicação e Cultura Midiática
Linha de Pesquisa
Configuração de produtos e processos na cultura midiática
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq
Grupo de Pesquisa em Análise de Produtos Audiovisuais
Instituição
Universidade Paulista
Financiamento
CAPES
Direito de Acesso
Acesso Aberto