Secando memórias: resgate de objetos biográficos na enchente do Rio Grande do Sul
Documento
Metadados
Título
Secando memórias: resgate de objetos biográficos na enchente do Rio Grande do Sul
Título (EN)
Drying Memories: Rescuing Biographical Objects in Rio Grande do Sul Floods (2024)
Autor(es)
Paula Garcia | Barbara Heller
Instituição
Universidade Paulista
Tipo
Artigo
Publicado em
Revista Anagramas
Resumo (EN)
This article investigates how people affected by a meteorological catastrophe that struck the
state of Rio Grande do Sul from April to May 2024 cope with the material losses of symbolic and
affective value caused by the floods. This research is justified by the need to go beyond structural
economic damage, making visible an emotional impact of a tragedy. The central objective is to
understand the role of biographical objects in the reconstruction of memory, identity, and a sense
of belonging in contexts of collective trauma and displacement. This is a qualitative exploratory
study based on a documentary analysis of a corpus comprising eight news reports published
in local and nationwide media. Research data were collected based on inclusion criteria that
prioritized narratives of loss, rescue, and restoration of personal belongings, excluding strictly
financial approaches. Based on these journalistic narratives, the main finding was that the
suffering recounted transcends the physical dimension of destruction and reaches the realm of
affective memories. Photographs, toys, and furniture become extensions of family history. This
study demonstrates that drying, cleaning, and preserving damaged objects also constitute a
communicative, cultural, and political action, as it reflects an attempt to re-narrate oneself and
the community after a trauma. It concludes that preserving memories plays an essential role in
affected communities’ emotional, social, and symbolic reconstruction, revealing the power of
memory as an element of continuity, a sense of belonging, and resilience.
Resumo
Este artigo investiga como as pessoas afetadas pela catástrofe meteorológica que atingiu o Rio
Grande do Sul entre abril e maio de 2024 lidam com as perdas materiais de valor simbólico e
afetivo provocadas pelas enchentes. A pesquisa justifica-se pela necessidade de ir além dos danos
estruturais e econômicos, visibilizando o impacto emocional da tragédia. O objetivo central
é compreender o papel dos objetos biográficos na reconstrução da memória, da identidade e
do sentimento de pertencimento em contextos de trauma coletivo e deslocamento. Trata-se
de uma pesquisa qualitativa e exploratória, baseada na análise documental de um corpus de
oito reportagens veiculadas em mídias locais e nacional. Os dados foram coletados a partir de
critérios de inclusão que priorizaram narrativas de perda, resgate e restauração de pertences
pessoais, excluindo abordagens estritamente financeiras. A partir dessas narrativas jornalísticas,
observou-se, como principal resultado, que o sofrimento relatado ultrapassa a dimensão física
da destruição e alcança o campo das memórias afetivas. Fotografias, brinquedos e móveis
configuram-se como extensões da história familiar. O estudo demonstra que o gesto de secar,
limpar e preservar objetos danificados é também um ato comunicacional, cultural e político,
pois traduz a tentativa de narrar novamente a si mesmo e à coletividade após o trauma. Conclui-
se que as práticas de preservação das lembranças assumem papel essencial na reconstrução
emocional, social e simbólica das comunidades atingidas, revelando a força da memória como
elemento de continuidade, pertencimento e resistência.
Palavras-chave
Comunicação | Memória coletiva | Patrimônio cultural | Inundações | Riscos naturais | Identidade cultural | Brasil
Direito de Acesso
Acesso Aberto
Financiamento
Bolsa Capes (Paula Garcia)