Seetha, a serpente, a tumba, tiki pop & surf rock: O “Orientalismo” na trilha musical
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Metadados
Título
Seetha, a serpente, a tumba, tiki pop & surf rock: O “Orientalismo” na trilha musical
Título (EN)
Seetha, the serpent, the tomb, tiki pop & surf rock: The “Orientalism” in soundtrack
Autor(es)
Heloísa de A. Duarte Valente, Paulo César Baptista
Instituição
Universidade Paulista
Tipo
Artigo
Coleção
Publicado em
Revista Música - USP
Resumo (EN)
This article analyzes the representation of the East in Western media culture through music, taking as a case study the scene of Seetha’s dance in the film Indian Sepulchre (Fritz Lang, 1959). The original track makes use of orchestral arrangements associated with exoticism to build a soundscape that evokes mystery and sensuality. The analysis is based on the concept of audiovisual contract by Chion (1990), revealing how sound and image are articulated to produce meaning. In counterpoint, the replacement of the track by Misirlou, in an arrangement by Martin Denny, inserts the tiki pop aesthetic and significantly changes the atmosphere of the scene, emptying its drama and intensifying the kitsch aspect. The article addresses how the "East" is systematically represented as exotic, in a stereotypical way, by the bias of the West. Based on the semiotics of the culture of Iuri Lotman (1981), it is considered the incorporation of the song Misirlou as an example of "movement" of the work (Zumthor, 2005), allowing the incorporation of extrinsic to a given culture. The persistent aestheticization of the exotic, in media contexts, creates soundscapes that, although decontextualized, remain in the western imaginary. Having as theoretical references, the concepts of musical topics, song of the media, nomadism, it is asked: What elements are present in them that lead to the concept assimilated by the imaginary of the western ear, elaborated by the arrangers? The presence of elements captured -and filtered- by the culture of the West, remain as components of a generic and imprecise "East": the adoption of the Hijaz scale (dominant Phrygian) and specific timbres point out that modal systems still cause estrangement, given the lack of listening habit.
Resumo
: Este artigo analisa a representação do Oriente na cultura midiática ocidental por meio da música tomando, como estudo de caso, a cena da dança de Seetha no filme Sepulcro Indiano (Fritz Lang, 1959). A trilha original faz uso de arranjos orquestrais associados ao exotismo para construir uma paisagem sonora que evoca mistério e sensualidade. A análise se apoia no conceito de contrato audiovisual de Chion (1990), revelando como som e imagem se articulam para produzir sentido. Em contraponto, a substituição da trilha por Misirlou, em arranjo de Martin Denny, insere a estética tiki pop e altera significativamente a atmosfera da cena, esvaziando sua dramaticidade e intensificando o aspecto kitsch. O artigo aborda como o "Oriente" é sistematicamente representado como exótico, de forma estereotipada, pelo viés do Ocidente. Apoiado na semiótica da cultura de Iuri Lotman (1981), considera-se a incorporação da canção Misirlou como exemplo de “movência” da obra (Zumthor, 2005), possibilitando a incorporação de extrínsecos a uma dada cultura. A persistente estetização do exótico, em contextos midiáticos, cria paisagens sonoras que, embora descontextualizadas, permanecem no imaginário ocidental. Tendo como referenciais teóricos, os conceitos de tópicas musicais, canção das mídias, nomadismo, pergunta-se: Que elementos estão nelas presentes que levam ao conceito assimilado pelo imaginário do ouvido ocidental, elaborado pelos arranjadores? A presença de elementos capturados –e filtrados- pela cultura do Ocidente, mantêm-se como componentes de um “Oriente” genérico e impreciso: a adoção da escala Hijaz (frígio dominante) e timbres específicos apontam que sistemas modais ainda causam estranhamento, dada a falta de hábito de escuta.
Palavras-chave
Orientalismo, Trilha sonora, Sepulcro indiano, Misirlou.
Financiamento
CNPq bolsa Pq