A medicalização é um termo que se refere ao aumento da intervenção da medicina, por meio de fármacos, na vida das pessoas, enquanto a patologização pode ser descrita como o processo de tornar problemas cotidianos da vida em patologias. Atualmente, nota-se um aumento dos fenômenos da patologização e da medicalização visando explicar as dificuldades escolares de crianças. Muitas vezes esses processos focam em apenas alguns comportamentos e ignoram todo um contexto histórico, familiar e social da criança, a culpabilizando por suas dificuldades. Assim, esta pesquisa teve como objetivo investigar a literatura científica nacional acerca deste tema, por meio de uma revisão integrativa, com o levantamento de artigos científicos na base de dados SciELO e PePsic. Foram selecionadas pesquisas de campo que se referem à medicalização e patologização na saúde mental infantil e analisadas por meio das categorias: ano de publicação; revista em que foi publicado; tipo de publicação; impactos cognitivos; impactos no âmbito familiar; impactos no âmbito escolar e impactos sociais. A partir destas categorias realizou-se uma análise e discussão sobre o tema. Os resultados apontam para efeitos colaterais e/ou indesejáveis como um dos impactos cognitivos encontrados; a culpabilização das famílias no que se refere ao âmbito familiar; discurso desqualificatório no âmbito escolar; naturalização de questões complexas no âmbito social. Ademais, os resultados indicam que a escola desempenha um papel de legitimação da medicalização e patologização.
Palavras-chave
Medicalização | Patologização | Revisão de literatura | Saúde mental | Infância