Os Erros Inatos do Metabolismo (EIM) são doenças monogênicas raras, mas que, coletivamente, apresentam incidência estimada em 1:2.000 a 1:2.500 nascidos vivos e representam causa relevante de morbimortalidade infantil. Este trabalho teve como objetivo revisar os tipos mais comuns de EIM, os mecanismos genéticos e bioquímicos envolvidos, as manifestações clínicas, os métodos diagnósticos disponíveis e a importância da triagem neonatal, além de discutir evidências recentes sobre o diagnóstico precoce e novas perspectivas terapêuticas. A literatura evidencia que os EIM podem ser classificados em distúrbios por intoxicação, doenças de armazenamento e defeitos do metabolismo energético, exemplificados por fenilcetonúria, acidemias orgânicas, defeitos do ciclo da ureia, deficiência de MCAD e doenças lisossômicas. As manifestações clínicas são variadas, indo de sintomas neonatais inespecíficos, como letargia e convulsões, a quadros crônicos com atraso no desenvolvimento e alterações dismórficas. O diagnóstico deve seguir abordagem escalonada, incluindo exames bioquímicos, testes enzimáticos e, mais recentemente, análise genética por NGS, exoma e genoma. A triagem neonatal tradicional e ampliada tem papel fundamental na detecção precoce, sendo a espectrometria de massas em tandem uma ferramenta decisiva. No Brasil, a Lei nº 14.154/2021 prevê a expansão do Programa Nacional de Triagem Neonatal. Além das terapias clássicas, avanços recentes em terapia gênica e edição genômica vêm mostrando resultados promissores. Conclui-se que o diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado são essenciais para melhorar o prognóstico, sendo necessária a ampliação do acesso às tecnologias diagnósticas e terapêuticas.