Erros inatos do metabolismo: um desafio diagnóstico nos primeiros dias de vida
Autor(es)
Isabela Lopes de Sales
Orientador(a)
Devandir A. Souza Junior
Resumo
Os Erros Inatos do Metabolismo (EIM) são doenças monogênicas raras, mas que, coletivamente, apresentam incidência estimada em 1:2.000 a 1:2.500 nascidos vivos e representam causa relevante de morbimortalidade infantil. Este trabalho teve como objetivo revisar os tipos mais comuns de EIM, os mecanismos genéticos e bioquímicos envolvidos, as manifestações clínicas, os métodos diagnósticos disponíveis e a importância da triagem neonatal, além de discutir evidências recentes sobre o diagnóstico precoce e novas perspectivas terapêuticas. A literatura evidencia que os EIM podem ser classificados em distúrbios por intoxicação, doenças de armazenamento e defeitos do metabolismo energético, exemplificados por fenilcetonúria, acidemias orgânicas, defeitos do ciclo da ureia, deficiência de MCAD e doenças lisossômicas. As manifestações clínicas são variadas, indo de sintomas neonatais inespecíficos, como letargia e convulsões, a quadros crônicos com atraso no desenvolvimento e alterações dismórficas. O diagnóstico deve seguir abordagem escalonada, incluindo exames bioquímicos, testes enzimáticos e, mais recentemente, análise genética por NGS, exoma e genoma. A triagem neonatal tradicional e ampliada tem papel fundamental na detecção precoce, sendo a espectrometria de massas em tandem uma ferramenta decisiva. No Brasil, a Lei nº 14.154/2021 prevê a expansão do Programa Nacional de Triagem Neonatal. Além das terapias clássicas, avanços recentes em terapia gênica e edição genômica vêm mostrando resultados promissores. Conclui-se que o diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado são essenciais para melhorar o prognóstico, sendo necessária a ampliação do acesso às tecnologias diagnósticas e terapêuticas.