2022 – Valuation of losses and damages resulting from the Fundao’s dam failure: An emergy perspective
Documento
Informações
Título
2022 - Valuation of losses and damages resulting from the Fundao’s dam failure: An emergy perspective
Título (EN)
Valuation of losses and damages resulting from the Fundao’s dam failure: An emergy perspective
Autor(es)
Juliano Scarpelin | Feni Dalano Roosevelt Agostinho | Cecília Maria Villas Boas de Almeida | Biagio Fernando Giannetti | Lívia Cristina Pinto Dias
Instituição
Universidade Paulista
Tipo
Artigo
Tipo de Mídia
Revista
Resumo (EN)
In 2015, the ‘Fundão’ dam's failure in Brazil released 44 million m3 of tailings that traveled 670 km in the ‘Doce’ river watershed crossing 40 municipalities and two states until reaching the Atlantic Ocean. Since then, a public civil action (PCA) is responsible for litigation processes, and recently established a value of US$ 43.8 billion to repair losses and damages, a value that brings doubts about its accuracy in expressing the loses and damages of the disaster. This claims for alternative methods for its monetary quantification than the current tradicional economic ones. Among others biophysical approaches, the emergy accounting appears as a powerful tool due to its donor side perspective that objectively quantifies value and recognizes energy quality. This study aims to use emergy accounting as method to firstly identify and then quantify the impacts of ‘Fundão’ dam's failure, considering exclusively the negative direct and immediate impacts. Three categories are considered to quantify loses and damages: (I) suppressed stocks in the mud passage and deposition areas (MPDA), (II) social disruption, and (III) changes in landscape. For all the three scenarios of turnover times (Tt), results show that about 98% of total emergy in the suppressed stocks are related to (II) and (III), while only 2% in average is related to (I). This discrepancy highlights the importance of accounting for (II) and (III) since they are often disregarded or not directly considered by traditional economic approaches. From a macroeconomic perspective, the highest total emergy-based dollars (emdollar, EmUS$) found for scenario #3 reached EmUS$ 149.18 billion, a value 3.4 times higher than the US$ 43.8 billion established by PCA. This higher value is equivalent to the annual emergy demanded by the Ecuador economy with 18 million inhabitants. Rather than providing an accurate monetary value for the ‘Fundão’ disaster repair, this study contributes for the advancement of discussions about using biophysical methods such as emergy accounting that allows tracking all numbers for objective verification as alternative to the traditional economic approaches in quantifying losses and damages of high proportion disasters.
Resumo
Em 2015, o rompimento da barragem de rejeitos de Fundão, em Mariana (MG), liberou aproximadamente 44 milhões de m³ de rejeitos, que percorreram cerca de 670 km ao longo da bacia do Rio Doce, atravessando 40 municípios em dois estados até alcançarem o Oceano Atlântico. Desde então, uma Ação Civil Pública (ACP) conduz os processos de reparação dos danos, tendo sido recentemente estabelecido o montante de US$ 43,8 bilhões como valor destinado à compensação das perdas e prejuízos. No entanto, esse valor suscita questionamentos quanto à sua capacidade de representar adequadamente a magnitude dos impactos causados pelo desastre, evidenciando a necessidade de métodos alternativos aos tradicionais modelos econômicos de valoração monetária. Entre as abordagens biofísicas disponíveis, a contabilidade em emergia destaca-se por adotar uma perspectiva baseada na contribuição da natureza (donor side), permitindo quantificar objetivamente o valor dos recursos ao considerar sua qualidade energética. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo utilizar a contabilidade em emergia para identificar e quantificar os impactos diretos e imediatos decorrentes do rompimento da barragem de Fundão. Para isso, as perdas e danos foram agrupados em três categorias: (I) estoques naturais suprimidos nas áreas de passagem e deposição da lama (Mud Passage and Deposition Areas – MPDA); (II) desestruturação social; e (III) alterações na paisagem. Os resultados mostraram que, em todos os cenários analisados de tempo de reposição (turnover time – Tt), aproximadamente 98% da emergia total associada às perdas concentrou-se nas categorias de desestruturação social e alterações da paisagem, enquanto apenas cerca de 2% correspondeu aos estoques naturais diretamente suprimidos. Essa expressiva diferença evidencia a importância de incorporar os impactos sociais e paisagísticos nas avaliações de desastres ambientais, uma vez que esses componentes frequentemente são negligenciados ou subestimados pelas abordagens econômicas convencionais. Sob a perspectiva macroeconômica, o maior valor obtido por meio da conversão em emdólares (EmUS$) alcançou EmUS$ 149,18 bilhões, correspondente ao cenário 3, valor aproximadamente 3,4 vezes superior ao montante de US$ 43,8 bilhões estabelecido pela Ação Civil Pública. Esse valor equivale à emergia anual demandada por toda a economia do Equador, país com cerca de 18 milhões de habitantes. Os autores ressaltam que o objetivo do estudo não é estabelecer um valor monetário definitivo para a reparação do desastre de Fundão, mas demonstrar o potencial da contabilidade em emergia como uma abordagem biofísica capaz de fornecer avaliações mais abrangentes, transparentes e objetivamente verificáveis das perdas e danos decorrentes de desastres de grande magnitude, complementando e aprimorando os métodos econômicos tradicionalmente utilizados.
Palavras-chave
Brazil | Dam failure | Ecological economy | Environmental valuation | Fundao dam
Direito de Acesso
Acesso Aberto
Financiamento
Vice Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa
Publicado em
SCARPELIN, Juliano; AGOSTINHO, Feni Dalano Roosevelt; ALMEIDA, Cecília Maria Villas Bôas de; GIANNETTI, Biagio Fernando; DIAS, Lívia Cristina Pinto. Valuation of losses and damages resulting from the Fundão's dam failure: an emergy perspective. Ecological Modelling, v. 471, artigo 110051, 2022.