A percepção dos técnicos que trabalham com medida de acolhimento institucional para crianças e adolescentes sobre a aplicabilidade do Plano Individual de Atendimento (PIA)
Anexos
Informações
Título
A percepção dos técnicos que trabalham com medida de acolhimento institucional para crianças e adolescentes sobre a aplicabilidade do Plano Individual de Atendimento (PIA)
Título (EN)
The perception of Professionals Working with Institutional Care Services for Children and Adolescents Regarding the Applicability of the Individual Care Plan (PIA).
Autor(es)
Polyana Barbosa Xavier
Orientador(es)
Profa. Dra. Marta Regina Gonçalves Correia Zanini
Data de Defesa
25/06/2026
Resumo
O Plano Individual de Atendimento (PIA) é um importante instrumental utilizado pelos acolhimentos institucionais no Brasil. Desempenha papel essencial para uma investigação aprofundada sobre crianças e adolescentes e seus contextos, reunindo informações que permitem entender sua história de vida, suas referências familiares e sociais, suas aptidões e projetos de vida. Utilizando-se desses dados, o PIA visa identificar e superar as vulnerabilidades e os riscos que motivaram a aplicação da medida de proteção, estabelecendo metas e atividades a serem desenvolvidas para promover a reintegração familiar da criança e/ou adolescente. No entanto, no cotidiano profissional de técnicos que o operacionalizam, apresenta potencialidades e dificuldades em sua aplicação. Este estudo de caráter exploratório, survey e quantitativo, teve como objetivo geral conhecer a percepção de assistentes sociais e psicólogos que trabalham em acolhimento institucional, medida de proteção prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990) e na Política Nacional de Assistência Social (PNAS) sobre o preenchimento, a execução e a aplicabilidade do PIA. Os objetivos específicos incluíram comparar a percepção dos técnicos a respeito do PIA e identificar as principais dificuldades e facilidades encontradas em sua elaboração, execução e aplicação. Participaram do estudo 151 técnicos, sendo 94 assistentes sociais e 57 psicólogos, de todas as regiões do Brasil. Foi utilizado como instrumento de coleta de dados um questionário on-line, desenvolvido pela autora, contendo 26 perguntas que compreendiam informações sociodemográficas, perfil profissiográfico e percepção dos participantes sobre elaboração, execução e aplicabilidade do PIA, bem como formas de participação da rede socioassistencial na contribuição do instrumental. Análises estatísticas descritivas, correlacionais e comparativas de médias e distribuição de categorias foram realizadas. Os resultados indicaram que, de forma geral, o PIA foi considerado importante e funcional, estando as dificuldades mais presentes relacionadas à articulação entre usuários, famílias e demais agentes da rede psicossocial. Psicólogos e assistentes sociais apresentam um padrão semelhante de percepção sobre a elaboração, a aplicação e a importância do PIA. Algumas diferenças pontuais, que serão destacadas ao longo da discussão, foram observadas, como idade, sendo psicólogos mais jovens; acúmulo de função mais observado nos assistentes sociais; psicólogos usam com maior frequência o modelo de PIA elaborado pelos próprios técnicos; e divergências na forma de participação do Centro de Referência de Assistência Social, Educação e Saúde Mental na elaboração do PIA. A pesquisa apresenta limitações para fins de análise inferencial, tendo em vista o número de participantes e o uso majoritário de medidas categóricas. Tais fatores restringem a variabilidade dos dados, o que pode comprometer a sensibilidade e o poder estatístico das análises inferenciais. Ainda assim, pode-se compreender que o número de participantes alcançados possibilitou fazer um levantamento e caracterização sobre o uso e a elaboração do PIA de forma confiável, contribuindo com a literatura nacional sobre a temática, que é escassa. Para além, acredita-se que o presente estudo pode beneficiar o cotidiano profissional e fomentar discussões que subsidiem políticas públicas e o cuidado em saúde mental de crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional.
Resumo (EN)
The Individual Care Plan (Plano Individual de Atendimento - PIA) is an important instrument used by institutional care facilities in Brazil. It plays an essential role in the in-depth investigation of the child or adolescent in care and their context, gathering information that allows for an understanding of their life history, family and social references, as well as their skills and life projects. Utilizing these data, the PIA aims to identify and overcome the vulnerabilities and risks that motivated the protective measure, establishing goals and activities to promote family reintegration. However, it presents both potentialities and difficulties in its application within the daily professional routine of the technicians who operationalize it. This exploratory, survey-based, and quantitative study aimed to understand the perception of social workers and psychologists working in institutional care — a protective measure provided for by the ECA/1990 and PNAS/2004 — regarding the completion, execution, and applicability of the PIA. Specific objectives included comparing the technicians' perceptions of the PIA and identifying the main difficulties and facilitators found in its preparation and implementation. The study included 151 participants (94 social workers and 57 psychologists) from all regions of Brazil. An online questionnaire developed by the author was used as the data collection instrument, containing 26 questions covering sociodemographic data, occupational profiles, and technicians' perceptions of the PIA, as well as the forms of participation of the social assistance network. Descriptive, correlational, and comparative statistical analyses of means and category distribution were performed. The results indicated that, in general, the PIA was considered important and functional, and that the most prevalent difficulties are related to the coordination between users, families, and other agents of the psychosocial network. Psychologists and social workers show a similar pattern of perception regarding the elaboration, application, and importance of the PIA. Some specific differences were observed, such as age (psychologists being younger), a higher accumulation of roles among social workers, and the fact that the PIA models used by psychologists were often developed by the technicians themselves. Furthermore, divergences in the participation of CRAS, Education, and Mental Health services in the preparation of the PIA are highlighted throughout the discussion. Study limitations include the relatively small number of participants and the use of categorical measures, which may reduce data variability and limit the sensitivity and statistical power of inferential analyses. It can be concluded that the study enabled the mapping and characterization of the use and development of the ICP, contributing to the limited national literature on the subject. Furthermore, this work may benefit the daily professional practice within institutional care services and foster deeper reflection on the topic and its continuous improvement.
Tipo
Dissertação
Palavras-chave
Criança acolhida. Defesa da criança e do adolescente; Psicólogos; Assistentes sociais; Análise institucional.
Área de Concentração
Saúde Mental nos Contextos Institucionais
Linha de Pesquisa
Saúde mental do adulto nos diferentes contextos institucionais
Instituição
Universidade Paulista
Direito de Acesso
Acesso Aberto