Big Bands no Brasil: Das Transformações da Paisagem Sonora à Banda Savana
Informações
Título
Big Bands no Brasil: Das Transformações da Paisagem Sonora à Banda Savana
Título (EN)
Big Bands in Brazil: From Soundscape Transformations to Banda Savana.
Autor(es)
Paulo Cesar Baptista
Orientador(es)
Heloísa de Araújo Duarte Valente
Data de Defesa
22/06/2026
Resumo (EN)
From its consolidation within the North American jazz tradition — particularly during the Swing Era — to its adaptation and reinvention in the context of Brazilian instrumental music, the big band is understood in this study not merely as an instrumental ensemble, but as an aesthetic, cultural, and perceptual structure capable of traversing distinct historical and technological contexts. More than a specific orchestral model, the big band actively participates in the construction of sonic identities, musical languages, shaping listening practices, taste formation, and musical forms. In Brazil, the assimilation of this format generated original experiences, among which Banda Savana — the corpus of this research — stands out as a paradigmatic case whose trajectory reveals hybrid practices of arrangement, improvisation, performance, and orchestration. The central hypothesis of this thesis argues that big bands, far from constituting a merely ephemeral trend or historically limited phenomenon, played a significant role in the reorganization of modern and contemporary listening practices, establishing themselves as devices of symbolic mediation, timbral elaboration, and collective sonic experience. In the Brazilian case, their incorporation occurred through processes of aesthetic, rhythmic, and cultural recombination, resulting in ensembles endowed with distinctive characteristics. To address these issues, the research adopts a historical-cultural, qualitative, and interdisciplinary approach grounded in the concepts of soundscape (Schafer, 1991), cultural hybridity (Canclini, 1994), performance (Zumthor, 2000), listening (Delalande, 2003), and sonic mediation (Chion, 1994; 2011). The analysis combines bibliographical research, examination of phonographic recordings, and critical reflection derived from long-term professional experience in the field of instrumental music, here understood as a form of situated knowledge. The findings indicate that Banda Savana not only sustains the big band tradition but reconfigures it within the contemporary Brazilian context by integrating improvisation, orchestral discipline, shared listening, and pedagogical practices. The ensemble operates as a space of collective formation and as a laboratory of musical experimentation in which timbre, gesture, and interaction assume central roles. It is concluded that Banda Savana reaffirms the vitality of the big band as a living musical form, capable of continuously reorganizing creative practices, modes of listening, and cultural processes in the present.
Resumo
Desde sua consolidação na tradição do jazz norte-americano — especialmente durante a Era do Swing — até sua adaptação e reinvenção no contexto da música instrumental brasileira, a big band é compreendida, nesta pesquisa, não apenas como formação instrumental, mas como estrutura estética, cultural e perceptiva capaz de atravessar diferentes contextos históricos e tecnológicos. Mais do que um modelo orquestral específico, a big band participa ativamente da construção de sonoridades, linguagens, incidindo sobre práticas de escuta, padrões de gosto e formas musicais. No Brasil, a assimilação desse formato produziu experiências originais, entre as quais se destaca a Banda Savana — corpus desta investigação — cuja trajetória evidencia práticas híbridas de arranjo, improvisação, performance e orquestração. A hipótese que orienta o trabalho sustenta que as big bands, longe de constituírem mero fenômeno passageiro ou tendência musical ultrapassada, desempenharam papel relevante na reorganização das práticas de escuta modernas e contemporâneas, afirmando-se como dispositivos de mediação simbólica, elaboração tímbrica e experiência coletiva do som. No caso brasileiro, sua incorporação ocorreu por meio de processos de recombinação estética, rítmica e cultural, resultando em formações dotadas de características próprias. Para tanto, a pesquisa adota abordagem histórico-cultural, qualitativa e interdisciplinar, fundamentada nos conceitos de paisagem sonora (Schafer, 1991), hibridismo cultural (Canclini, 1994), performance (Zumthor, 2000), escuta (Delalande, 2003) e mediação sonora (Chion, 1994; 2011). A análise se desenvolve a partir de levantamento bibliográfico, análise de registros fonográficos e reflexão crítica derivada de experiência prolongada de atuação no campo da música instrumental, compreendida como forma de conhecimento situado. Os resultados da pesquisa indicam que a Banda Savana não apenas mantém a tradição das big bands, mas a reconfigura no contexto brasileiro contemporâneo ao integrar improvisação, rigor orquestral, escuta compartilhada e práticas pedagógicas. Observa-se que o grupo opera como espaço de formação coletiva e laboratório de experimentação musical, no qual timbre, gesto e interação assumem papéis centrais. Conclui-se que a trajetória da Banda Savana reafirma a vitalidade da big band como forma musical viva, capaz de reorganizar continuamente práticas criativas, modos de escuta e processos culturais no presente.
Coleção
Tipo
Tese
Palavras-chave
Big bands; Música instrumental; Paisagem sonora; Timbre; Banda Savana.
Área de Concentração
Comunicação e Cultura Midiática
Linha de Pesquisa
Configuração de produtos e processos na cultura midiática
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq
Centro de Estudos em Música e Mídia
Instituição
Universidade Paulista
Financiamento
CAPES
Direito de Acesso
Acesso Aberto